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29 jan 2010
No dia do aniversário do cubano José Martí, houve, na Casa Cuba, uma mesa com patriotas do revolucionário que analisaram o bloqueio norte-americano perante Cuba, assim como contaram como se deu o processo de prisão de cinco cubanos no final do śeculo XX em Miami. A mesa era composta por Lídia Guevara, Olga Arango (familiar dos 5 presos nos EUA), Carlos Miguel e Oswaldo Martinez.
A jurista Lídia Guevara trabalhou sobre o conceito de terrorismo. Para ela, o terrorismo não começou com os ataques às Torres Gêmeas, em 2001, e sim com o racismo, com a supremacia branca e com as ditaduras civis-militares que a América Latina enfrentou na metade do século passado. Citando as mulheres da Praça de Maio, afirma que seus filhos foram considerados terroristas pelo governo da época, entretanto, de acordo com Guevara, eles apenas lutavam por um mundo melhor que, em suas palavras, ‘’sempre é possível”.

A esposa de um dos cinco cubanos presos em 1998, Olga, quando estavam em Miami (EUA), deu seu testemunho sobre a prisão e o tratamento que receberam no ato da prisão e nos anos de cárcere. De acordo com ela, houve violação de direitos e negação de direito de visita inúmeras vezes. Sua família ficou quase trinta meses sem ver seu marido, ou seja, até o ano 2000. Sua espera, entretanto, ”não é em silêncio, chorando em casa.”
O motivo da prisão, por conspiração, foi trabalhado por Carlos Miguel. Afirma que os cinco cubanos foram presos como terroristas em anti-ação terrorista norte-americana.
Sobre o bloqueio dos EUA à Cuba, Osvaldo Martinez afirma que em 1959, quando se deu a sanção, Cuba sofria um processo revolucionário, mas sem intenção declaradas sobre sua posição comunista. O bloqueio, em 2009, comemorou 50 anos e, de acordo com o cubano, não há registro histórico de bloqueio tão longo e extremo.
Perante o novo governo dos EUA, Martinez afirma que a ”figura desagradável de George Bush foi trocada pelo sorriso amável do afro-descendente Barack Obama.” Atualmente não se pode comprar ou usar mercadorias dos EUA, assim como não há turismo de americanos na ilha cubana e nem o uso, nas relações internacionais, do dollar.
A mesa cubana da tarde de ontem, dia 28 e penúltimo dia do FSM10, contou também com apresentações musicais de cubanos e argentinos.
Por Júlia Schnorr
(Colaboradora Agência FSM10)
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